li, e aí? #1: faça acontecer – sheryl sandberg

Duas coisinhas que eu percebi nesses últimos dois meses:

  1. Manter um blog é na verdade bem complicado. Ainda mais quando você é uma vesga igual eu que precisa urgente aprender a se organizar melhor, e que ainda tem um TCC pra fazer.
  2. Essa tarefa se torna mais difícil quando não se tem a menor ideia do que você vai fazer com o blog (ou com a sua vida, pra constar).

Mas eu voltei, sou uma nova pessoa aham, e, agora, acho que sei um caminho que quero dar pra esse enderecinho singelo aqui. E, pra começar, tô inaugurando um espacinho sobre uma das minhas coisas preferidas nesse mundo: LIVROS!

Até porque estou encarando um desafio de leitura pra 2015 (esse aqui), achei que seria mais produtivo escrever minhas opiniões sobre o que estou lendo do que ficar discutindo calorosamente sobre elas… comigo mesma. No ônibus.

E não só falo sozinha, ainda gesticulo e faço todas as caretas possíveis. Se as pessoas me dessem 1 real ao invés de olhadas, eu estava recebendo olhadas em, sei lá, Paris.

ENFIM, prossigamos.

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#9 – um livro escrito por uma mulher

Mês passado, a empresa que eu trabalho deu de presente pra mulherada um exemplar do livro da Sheryl Sandberg, o Faça Acontecer, no Dia das Mulheres. (rolou uma sessão spa também, que na verdade parecia mais um cenário de guerra porque tinha que disputar a tapas uma vaga pra depilar sobrancelha)

A vida me ensinou que livros são bons, ainda mais quando são insights de carreira e mercado escritos pela 5ª mulher mais poderosa do mundo, então simplesmente joguei o que eu estava lendo de lado (Sara Gruen, peço desculpas) e comecei a ler esse aqui no lugar.

Primeiro, Dia das Mulheres é sempre uma data meio estranha. Tem gente que fica feliz, tem gente que fica revoltada, e esse contraste é sempre curioso: afinal, por mais que seja legal ter um dia que te homenageie de alguma forma, não dá pra negar que ainda existe muita desigualdade de gêneros, machismo descarado e velado e muita hipocrisia.

Sim, fico feliz em receber rosas (ok, mais ou menos, não gosto muito de flores mas amo ganhar presente), mas ficaria mais se não fosse obrigada a ler coisas dessa estirpe aqui, ainda mais no suposto dia que deveria me homenagear.

Esse livro causou uma sensaçãozinha quando foi lançado, e com razão – afinal, a autora é apenas diretora de operações do Facebook, com passagens pelo Google e Tesouro americano.

Antes de mais nada, ignore o título da versão brasileira. Dá uma impressão totalmente errada do conteúdo! Esse não é um manual de como você pode “fazer acontecer” na sua vida (embora o livro seja sim muito inspirador e com várias dicas bacanas de carreira), e sim um apanhado de reflexões e dados sobre o papel feminino no mercado de trabalho.

Não tenho muita paciência pra ler livros do gênero (vergonha, desgraça), mas devorei esse aqui. Primeiro porque ele é curtinho, 200 e poucas páginas de conteúdo mesmo (as últimas 50 são todas listagens das fontes de pesquisas e etc.), e segundo porque a Sheryl escreve de um jeito bem gostoso de ler.

Parece que você e ela se esbarraram um belo dia num café, você pediu uns conselhos, ela se sentou com você e vocês começaram a conversar. Isso ajuda muito a manter a leitura leve, especialmente com a quantidade de dados mencionada ao longo do livro. Mas o que eu mais gostei é que, apesar de toda a sua experiência e talento, Sheryl consegue ser muito humana – ela conta vários “causos” engraçados que aconteceram na carreira dela, e reforça o tempo todo o quanto ainda pena com dias ruins e dúvidas, coisa que tira totalmente aquela ideia de “chefona foda não-me-toques”.

O que é ainda mais legal, porque dá a entender que, assim como ela, você também pode chegar lá algum dia se quiser 😉

Agora, a parte que eu mais adorei: Sheryl conseguiu descrever como o empoderamento feminino é, na verdade, o empoderamento dos dois gêneros. Se as mulheres (e os símbolos ligados a elas) não fossem vistos de forma inferior e/ou tivessem uma conotação negativa, será que isso não abriria as portas para que os homens também se sentissem livres para escolherem (de forma plena) os caminhos que querem seguir na vida, sem serem julgados por isso?

Imagina que louco um mundo onde um homem pudesse virar dono de casa sem ouvir que “isso é coisa de mulher” ou uma mulher que escolhesse virar uma grande executiva sem ter que lidar com perguntas sobre “quando você vai casar e ter filhos”.

Super recomendo pra qualquer um, porque acho que é algo que abre muito a cabeça, além de conter várias dicas bacanas sobre carreira, postura profissional, e planejamento de vida. Além de ser uma desmistificação bacana sobre o real objetivo do feminismo.

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