novos começos.

Então.

Agora que o ano está acabando, pensei se não seria uma boa já começar a lista de metas pra 2017. Confesso que em 2016 eu realizei muitas coisas, mas meio que deixei a lista de lado e por mais que tenha chegado a conquistas bacanas, não foram exatamente as que eu planejei e isso me deixa meio frustrada, sabe?

Quer dizer, eu arranjei um novo emprego, descobri uma nova perspectiva de carreira que jamais pensei que consideraria – e que me trouxe de brinde uma crise ótima pela percepção de que, NÃO, a gente não tem noção do que tá fazendo com a vida quando vai prestar vestibular – e fiz outra tatuagem, mas ah, não peguei no volante como prometi e o espacate ainda falta um palmo pra chegar no chão (claro que isso eu tenho que respeitar os limites do meu corpo).

E quer saber? Eu decidi ser um pouco mais flexível comigo mesma. Esses dias andei meio na bad porque quebrei a cara com um amigo, tive uma surpresa meio desagradável no trabalho e tô meio desacreditada da vida. E eu vou deixar isso me abalar? Claro que não.

O falsiano a gente joga pra escanteio, os desafios do trampo a gente se supera (e faz o chefe engolir), e a vida, bem, eu vou tentar controlar o que dá, mas o que não der – e isso inclui pessoas – não vou esquentar a cabeça.

Quer dizer, se tem uma coisa que eu espero levar de 2016 é que, cara, a gente cai mil vezes, mas levanta mil e uma, e cada vez que isso se repete, a gente volta mais forte e numa direção melhor.

Mas, já que estamos aqui, por que não colocar algumas coisinhas que eu gostaria de começar em 2017?

  1. Começar um novo hobby. Eu sempre fui meio medrosa de tentar coisas novas na infância/adolescência por causa da timidez e do sentimento de inadequação, mas agora que consigo lidar melhor, morro de vontade de testar coisas novas! Tô considerando seriamente  começar aulas de canto, não só pra arrasar na cara das inimigas no karaokê, como também aprender a respirar e projetar melhor minha voz. (eu às vezes enrolo a língua, acontece com mais alguém?)
  2. Ler mais. Gente, se eu peguei em UM livro esse ano, foi muito. Eu costumava ler bastante, e sinto que isso fez diferença no meu senso crítico e na minha forma de ver o mundo. E falando nisso…
  3. Ser mais inteirada das coisas. Cabeçuda que sou, não presto atenção em nada e não leio jornal nenhum. Tá na hora de ser um pouquinho mais informada, né, dona Lari?

 

Por enquanto é isso. A lista vai aumentando conforme for pensando em mais coisas.

Aliás, eu ando com uma vontade louca de comprar roupa. Acho que é a vontade de mudar.

sobre a vida #12: emprego novo e a vida dá voltas

Olá!

Como estão vocês? A vida anda meio louca pra todo mundo ultimamente, e eu não fui exceção à regra. Sumi daqui de novo, mas qual a novidade não é meixmo mas acabei voltando, e acho que talvez consiga voltar de vez. Veremos.

Porque, poxa, lá vai a pessoa trouxa inocente achar que blogar é fácil, mesmo que seja por diversão. Mas não. É difícil bolar conteúdo, é tenso superar aquela preguicinha de fim de semana, é foda escolher contar como foi o dia pra internet e não se deixar seduzir pela cama quentinha que tá bem do lado, ainda mais agora que o outono chegou em SP – louco de pedra também – trazendo um calor de Judas de dia e o frio do Alasca de noite, e todo mundo tem que aderir ao look cebola para sobreviver.

 

 

pronta para divar na virada de estação

Pois bem, o que aconteceu no último mês foi: arranjei um emprego!

TODAS CHORA DE EMOSSAUM!11!1!!!1

MENTIRA, SÓ EU, ACHO

Depois da virada do ano, que foi quando oficialmente terminei a faculdade e o contrato de estágio (que não deu em nada), comecei a caçar freneticamente, e fui chamada para algumas dinâmicas/entrevistas, mas batia na trave. Um lugar o cara (que eu creio ser o dono) até deu sinais de que queria muito me contratar, mas se liga na cilada: o hómi queria alguém que trabalhasse num cargo de assistente (guarde isso), mas que tivesse competências de um gerente, tomasse as decisões de um diretor, e ganhasse o salário de um menor aprendiz. Trabalhando de segunda a sábado. Valor seco.

O Pedro já disse pro Bino que era cilada, e tratei de vazar dali rapidinho. Fora que, pra chegar ali, peguei uma linha de trem que nunca usei na vida, e apesar dela ser tranquila, fiquei imaginando como seriam as condições de segurança de manhãzinha e à noite, porque os trens demoravam muito pra passar, tinha pouca gente e nenhum guarda. Toda mulher tem essa neura, e eu, mais paranoica do que metade da nação e com zero competência pra me defender sozinha de um ataque físico, elevei à enésima potência.

eu sempre que vou a um lugar estranho

Mas, depois de um tempo, arranjei uma segunda casinha nova meio que despretensiosamente – entenda-se: só na hora que eu achei a vaga na internet, porque nas outras etapas eu queria vomitar de nervoso – e completei 1 mês lá essa semana. Lugar maravilhoso. Tem breja toda sexta, reunião de equipes quase toda terça e gente linda todo dia ❤ ORGULHO DEFINE!

Engraçado que foi só quando entrei no meu emprego novo que me dei conta do quão grilada (HAHAHA odeio essa gíria, mas não consigo pensar em outra palavra agora) eu estava no lugar antigo. Do quão negativo ele era, do quanto eu ficava mal lá. Ainda faço um post com mais detalhes, mas depois que saí, a cada dia é um agradecimento diferente a Deus porque os podres que cê descobre de lá são dignos de novela (tipo moça do RH contratando marido, caixa 2 pra pagar churrasco de fim de ano, negada cagando tudo e botando culpa no aprendiz, gente sendo demitida na base da punhalada nas costas etc).

É foda. Mas está no passado agora.

E ainda tive a notícia de que o meu ex vai ser demitido. Não desejo nada de ruim pra ele (embora ele tenha sido um perfeito idiota comigo), mas o karma pega pra todo mundo e agora, não posso deixar de pensar que é pelo menos “bem feito” pro ser humano que ele é.

Isso também só provou pra mim que a gente sempre deve focar no nosso, fazer o bem, ser a melhor pessoa que pudermos ser. E correr atrás. Porque o amigo se gabava todo dia que todos os chefes amavam ele e que era o fodão das galáxias, mas adivinha só quem foi escolhido pra forca na hora do aperto?

De resto, tudo indo.

A gente vê.

ó as ideia #1: “bela, recatada e do lar”

Estreando categoria novaaa! Só um espacinho para reflexões aleatórias, pensamentos insanos e problematização. Na verdade, sou só eu vomitando freneticamente as coisa lhoca que se passam na cabecinha maravilhosa dessa pessoa que vos fala.

Pois bem. Acho que, como muitas meninas, me descobri feminista nos últimos 2 ou 3 anos, quando as discussões de gênero começaram a pipocar com mais força – a campanha maravilhosa da Jules, do Think Olga; iniciativas lindas como a Vamos Juntas? e o Az Mina na História e vários coletivos surgindo com páginas e portais com conteúdos incríveis, como o Empodere Duas Mulheres, Não Me Kahlo, Capitolina. Ou mesmo iniciativas pequenas, como coletivos universitários.

Termos não familiares, como empoderamento, sororidade e cultura do estupro de repente faziam parte da minha vida. Foi estranho – e libertador – ver que, de repente, não era só eu que me sentia fragilizada com alguma cantada escrota na rua, ou impotente diante de algum homem, ou culpada por gostar de roupas mais curtas (eu tenho 1,52 de altura. Sabem o porre que é ficar fazendo barra?). Foi mais libertador ainda perceber que eu não deveria me sentir culpada ou responsável por nenhuma dessas coisas.

E eu fico feliz de saber que tem muita gente engajada na causa, mas fico triste e indignada também quando vejo esse tipo de coisa aqui. Ou isso aqui, que é o tema de hoje. E gente aplaudindo, ovacionando de pé, dizendo que é isso aí.

Não vou nem entrar no mérito político da coisa, porque acho que não cabe aqui nesse momento e nem tenho autoridade para abordar o assunto. Mas acho que temos dois problemas graves aqui: o machismo e o jornalismo tendencioso (pra não dizer estúpido mesmo).

Já fico preocupada no subtítulo – “quase primeira dama”. Não sei vocês, pra mim isso parece um pouco cantar vitória antes do fim do jogo. Mas tudo bem. Em seguida, um textão enorme e bacana rasgando altas sedas à Marcela Temer, uma moça bonita, que gosta de vestidos comportados, que se casou com um figurão bem mais velho, e hoje gosta de ficar em casa com o Michelzinho. A nossa “Grace Kelly brasileira”. Como é sortudo o Michel, gente! Casou com a mulher perfeita! Que bom que ele vai virar presidente, né, agora sim poderemos nos orgulhar por esse exemplo de mulher estar ao lado da pessoa mais poderosa da nação. HOOHA!

Ok. A moça é realmente muito bonita, e se ficar em casa com o filho é o que a deixa feliz, que assim seja. Lugar de mulher é onde ela quiser. Mas perceba, se em uma semana a Veja publica que Dilma tem “explosões nervosas” (obviamente com um viés negativo) e na outra exalta o perfil de uma mulher “recatada e do lar”, não é muito difícil entender o que estão querendo dizer. Mulher boa é aquela que se relega a ficar atrás de um marido, passiva e cuidando da casa. Que não tem voz. Que sabe o lugar dela.

A crítica não é à Marcela, é a esse discurso hipócrita e nojento que em mais de meio século, não conseguimos apagar. Óbvio que a internet não perdoa, e logo, várias manas começaram a publicar fotos de todas nós belas, recatadas e do lar. Gente no pole dance. Fazendo ensaio sensual. Se jogando na farra. Bebendo tequila. Trabalhando na obra. Fazendo sucesso por aí.

Deu ainda mais orgulho ver quantas meninas incríveis que eu conheço aderiram ❤ ainda assim, fico angustiada. Até quando isso, gente?

Até quando?