ó as ideia #1: “bela, recatada e do lar”

Estreando categoria novaaa! Só um espacinho para reflexões aleatórias, pensamentos insanos e problematização. Na verdade, sou só eu vomitando freneticamente as coisa lhoca que se passam na cabecinha maravilhosa dessa pessoa que vos fala.

Pois bem. Acho que, como muitas meninas, me descobri feminista nos últimos 2 ou 3 anos, quando as discussões de gênero começaram a pipocar com mais força – a campanha maravilhosa da Jules, do Think Olga; iniciativas lindas como a Vamos Juntas? e o Az Mina na História e vários coletivos surgindo com páginas e portais com conteúdos incríveis, como o Empodere Duas Mulheres, Não Me Kahlo, Capitolina. Ou mesmo iniciativas pequenas, como coletivos universitários.

Termos não familiares, como empoderamento, sororidade e cultura do estupro de repente faziam parte da minha vida. Foi estranho – e libertador – ver que, de repente, não era só eu que me sentia fragilizada com alguma cantada escrota na rua, ou impotente diante de algum homem, ou culpada por gostar de roupas mais curtas (eu tenho 1,52 de altura. Sabem o porre que é ficar fazendo barra?). Foi mais libertador ainda perceber que eu não deveria me sentir culpada ou responsável por nenhuma dessas coisas.

E eu fico feliz de saber que tem muita gente engajada na causa, mas fico triste e indignada também quando vejo esse tipo de coisa aqui. Ou isso aqui, que é o tema de hoje. E gente aplaudindo, ovacionando de pé, dizendo que é isso aí.

Não vou nem entrar no mérito político da coisa, porque acho que não cabe aqui nesse momento e nem tenho autoridade para abordar o assunto. Mas acho que temos dois problemas graves aqui: o machismo e o jornalismo tendencioso (pra não dizer estúpido mesmo).

Já fico preocupada no subtítulo – “quase primeira dama”. Não sei vocês, pra mim isso parece um pouco cantar vitória antes do fim do jogo. Mas tudo bem. Em seguida, um textão enorme e bacana rasgando altas sedas à Marcela Temer, uma moça bonita, que gosta de vestidos comportados, que se casou com um figurão bem mais velho, e hoje gosta de ficar em casa com o Michelzinho. A nossa “Grace Kelly brasileira”. Como é sortudo o Michel, gente! Casou com a mulher perfeita! Que bom que ele vai virar presidente, né, agora sim poderemos nos orgulhar por esse exemplo de mulher estar ao lado da pessoa mais poderosa da nação. HOOHA!

Ok. A moça é realmente muito bonita, e se ficar em casa com o filho é o que a deixa feliz, que assim seja. Lugar de mulher é onde ela quiser. Mas perceba, se em uma semana a Veja publica que Dilma tem “explosões nervosas” (obviamente com um viés negativo) e na outra exalta o perfil de uma mulher “recatada e do lar”, não é muito difícil entender o que estão querendo dizer. Mulher boa é aquela que se relega a ficar atrás de um marido, passiva e cuidando da casa. Que não tem voz. Que sabe o lugar dela.

A crítica não é à Marcela, é a esse discurso hipócrita e nojento que em mais de meio século, não conseguimos apagar. Óbvio que a internet não perdoa, e logo, várias manas começaram a publicar fotos de todas nós belas, recatadas e do lar. Gente no pole dance. Fazendo ensaio sensual. Se jogando na farra. Bebendo tequila. Trabalhando na obra. Fazendo sucesso por aí.

Deu ainda mais orgulho ver quantas meninas incríveis que eu conheço aderiram ❤ ainda assim, fico angustiada. Até quando isso, gente?

Até quando?

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